Fred Almeida Bernardo

“Já tive fases menos boas da vida, e era na mota que eu me libertava”

Desporto
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Existem paixões que vêm praticamente de nascença, outras que se desenvolvem mais tarde. Aos 18 anos, com o seu primeiro ordenado, Fred Bernardo comprou a primeira moto para se divertir com os amigos. A diversão tornou-se um jogo mais sério e passados 6 anos já a cilindrada é outra. Com o Campeonato Nacional de Enduro à porta, O Ponto foi conhecer o atleta.


Quem é o Fred?

Sou o Fred Almeida Bernardo, tenho 25 anos e sou de Ouca. Já ando de mota, mais ou menos há 6 anos, mas há 2 anos para cá, é que comecei a praticar mais a sério.


Começaste há 6 anos, tinhas 18 anos…

Sim, comecei a andar de mota aos 18 anos, mas nada de muito sério, era só para me divertir. Há 2 anos para cá, é que já não foi bem assim, o “andar de mota” passaram a ser treinos e o chip mudou.

Comecei a andar com malta de Cantanhede que já faz campeonatos e foi através deles que surgiu a oportunidade de ir experimentar a fazer uma corrida.


Como foi essa primeira experiência?

Não foi muito boa, nem sequer acabei a prova.. Foi há 2 anos em Souselas, estava um calor exaustivo, creio até nunca ter apanhado tanto calor na vida – 42º. Começaram logo a dizer-me que já não ia voltar mas não… no ano seguinte, surgiu outra oportunidade, e fui com o objetivo de, pelo menos, terminar a prova.


Em que classe competiste?
Eu competi na classe Hobby, com cerca de 130 participantes. Correu bem, fiquei em 10.º lugar na minha primeira prova.


Para os que não estão a par da competição de Enduro, explica-nos o que é a classe Hobby.

O Hobbie, é uma classe onde é apenas necessário ter a mota matriculada e a carta condução, por isso leva muita gente. São antigos pilotos que já não querem estar integrados em campeonatos e competem por lazer e há também outros “marretas” como eu. Fiz essa classe durante 1 ano e meio, ou seja, 2 campeonatos. Há também a classe Verdes, a classe Promoção - que é a que eu vou integrar - a classe Open e a classe dos Elites.


Até há pouco tempo estiveste com a equipa de Cantanhede e agora juntaste aos “Rivais de mérito”, como é que isso aconteceu?

Houve uma equipa do Norte, de Marco de Canaveses que quis investir em mim. Pode não ser a melhor, mas é a maior equipa do campeonato e com as melhores condições – os “Rivais de mérito”.

Eles têm acesso aos meus tempos online e mandaram-me mensagem para integrar a equipa. Fiquei super contente e decidi aceitar o desafio que vai ser este ano – o Campeonato Nacional de Enduro.


Como estão os preparativos para o Campeonato que se avizinha?

Começa exatamente no dia 13 de fevereiro, na Tábua. Por agora estamos em treinos, já tive uns 5 fins de semana com eles, e estou a adorar!

Mas neste momento, preciso de apoios.. Inicialmente foi fácil, consegui alguns apoios de malta amiga e de empresas que gostam de ajudar, mas agora preciso sensivelmente de 5 patrocínios para começar o campeonato que começa daqui a 2 semanas [à data da realização da entrevista]. Tenho ainda de fazer o kit gráfico da mota, o meu equipamento, o capacete e essas coisas todas…


Quais são os custos desta modalidade?

Durante o campeonato é um desgaste financeiro brutal, a nível de pneus, de calços de travões, de punhos, de gasolina para a mota e gasóleo para a carrinha. As inscrições das provas também contam.. Eu diria que se gasta cerca de 1000€, ou um bocado mais, em cada campeonato. Para terem uma noção, gasto cerca de 7, 8 pneus traseiros por campeonato. Felizmente, não tenho de me preocupar com a alimentação, com a estadia e outros custos que a equipa cobre.


Fora os treinos.. Onde costumas treinar?

No norte. E agora com esta equipa, ainda tenho de ir para mais longe.


Notas diferença do Fred que começou há 6 anos, para o de agora?

Noto uma diferença brutal de há 2 anos para cá, a nível de andamento, confiança e ambição. Não posso falar dos 6 anos porque não levava as motas tão a sério. E mesmo assim, já nessa altura, sem querer ser convencido, achava que andava bem de mota. [risos]


E como concilias os treinos com tua vida e o trabalho?

É preciso largar muitas coisas para me dedicar aos treinos.. eu não posso sair à noite, por exemplo. Para onde quer que vá, já tenho de ir na sexta à noite, para no sábado já estar a treinar às 8h da manhã e claro que isso me priva de muitas coisas. Nao é fácil, é um investimento em mim…


Que perspetivas traças para este campeonato?

Para mim, esta a ser tudo ainda muito excitante porque é o primeiro ano como federado. Além de estar contente e nervoso, eu acredito sinceramente que nestas primeiras provas será uma fase de adaptação. Posso ambicionar muita coisa, mas também tenho consciência das dificuldades que existem. Mas acredito que 2022 vai sorrir para mim.


E o que te motiva a continuar a competir?

Primeiro, é um dos poucos desportos que podes dizer que estamos lado a lado ou na mesma competição com um ídolo. Um exemplo, podes idolatrar o Cristiano Ronaldo, mas é impensável ir jogar com ele ou vir até a jogar no mesmo campo com ele. No Enduro isso acontece, e eu acho que é um privilégio. O meu ídolo é o Diogo Ventura e já estive com ele, já tirei fotos com ele..


O que sentes quando estás em cima de uma mota?

Andar de mota, permite-me não pensar em mais nada. Já tive fases menos boas da vida, e era na mota que eu me libertava. Mesmo que o meu consciente queira pensar numa coisa, o foco é olhar para a frente e acelerar, não temos tempo para pensar em mais nada. Depois é a adrenalina que provoca em mim. Gostava que o meu pai me tivesse oferecido uma mota quando eu tinha 7 anos, mas não.. colocou-me no futebol, era gordinho, lá fui eu para guarda-redes [risos].

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